quarta-feira, 18 de março de 2015

"Dois olhos e um coração de Mãe diante da Cruz" Por Dionatan Lemes

Que estão sobre nós e fixos na Cruz. 
É o carinho deste jovem pela Mãe de Jesus e seu olhar durante a Cruz. Ore ao ler este texto.


"DOIS OLHOS E UM CORAÇÃO DE MÃE DIANTE DA CRUZ" Por Dionatan Lemes


            “Pela Virgem Dolorosa, Vossa mãe tão piedosa,
perdoai-me meu Jesus”
         
Neste período quaresmal, no qual o Senhor nos chama a repensar nossas atitudes e a preparar-nos para viver mais profundamente este tempo de graça que se aproxima que é a Páscoa do Senhor Jesus, nos lembramos de tudo aquilo que Cristo sofreu em seu martírio e crucifixão.
          De todos estes momentos quero propor em focarmos numa outra perspectiva. Havia alguém naquele lugar, que sofria junto com Jesus, a cada queda e a cada passo. Sua mãe, Maria.
          Um dia a jovem Maria, com seu filho recém nascido nos braços, ouvia do Simeão as seguintes palavras: “uma espada transpassará sua alma” (Lucas 2, 35). E agora lá estava ela, certamente cansada, após ter feito a caminhada mais dura de sua vida, sempre perto de seu Filho, sem jamais desistir, Seus pés deveriam estar doloridos, talvez cheios de poeira. Quem sabe no seu rosto rolassem inúmeras lágrimas ou seus olhos estivessem indescritivelmente abatidos.
          Como não estarem? Se depois de todo aquele trajeto, ela estava ali, vendo o fruto de seu ventre, pendendo em uma cruz. O que será que passava pela cabeça daquela Mãe? Quem sabe, a imagem de seu Filho desfigurado se misturasse com a imagem d’Ele ainda jovem, aprendendo a andar ou brincando pela casa. Talvez aquele som daquele lugar, se misturava com a lembrança da primeira vez que ele lhe chamou de mãe.
          E assim, a única dor que ela conseguia sentir, era a de uma espada que transpassava lentamente sua alma. Ali ela ficou, esperando, sem perder a esperança, parece que algo naquele coração suportava tudo, com a segurança de que toda aquela dor uma hora acabaria, seria um dia de alegria novamente? Onde tudo voltasse a ser como era, com seu Filho nos braços? Talvez um terceiro dia no qual a alegria ressuscitasse?
          Mas ela ainda estava ali, na cruz o Corpo pendente. Maria recebe seu filho novamente nos braços, como naquele dia diante de Simeão, e então a profecia se cumpre: Maria, Jesus em seus braços e uma espada que não se vê. Creio que foi nesse momento, quando depositam o Filho no colo da Mãe, que Maria sente o fio da lamina fria da espada concluir sua sina, a alma estava transpassada. Dois olhos sofridos, um Filho morto e um coração de Mãe atravessado pela dor.



          Oremos: Pai, que eu jamais deixe de confiar em Ti, que meu coração seja forte como o de Maria, que mesmo transpassado pela mais forte das dores, jamais perca a esperança. Para que eu possa merecer a alegria do terceiro dia. Amém.


[1] Texto elaborado por Dionatan Lemes da Luz, para auxilio de preparação espiritual do Grupo Do Alto da Cruz para a Semana Santa de 2015 em Tijucas do Sul (São José dos Pinhais, 12 de março de 2015)

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